quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Vamos continuar

Vou me deparando com as atividades do dia-a-dia dentro dessa área que me cativa tanto (a Saúde Coletiva) e ao mesmo tempo me perguntando "estou pronta pra seguir em frente?". E essas mesmas atividades e experiências, me mostram como eu nunca vou estar 100% pronta, mas é participando delas que eu tenho certeza de que vale a pena continuar. Como eu já contei em outros relatos deste blog, bem no início do curso, eu participei de uma experiência como bolsista de um projeto num dos CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) daqui de Porto Alegre. Lá eu participava de muitas atividades (grupos terapêuticos, acompanhamento dos acolhimentos, etc.), que contribuíram muito para que eu continuasse em busca das minhas possibilidades dentro do meu campo escolhido. Pois então, semanas atrás, quando eu voltada de uma atividade do Fórum Social Mundial, encontrei uma senhora que frequentava o CAPS na mesma época em que eu estava fazendo parte da equipe, e essa senhora participava de um grupo terapêutico de atenção aos familiares dos usuários do Centro, do qual eu fazia parte como mediadora. Foi lindo ver a alegria dela, ainda mais quando me abraçou e me agradeceu pela ajuda e atenção que eu dei à ela. E mais lindo ainda, foi perceber que naquele momento eu estava só começando.
E ter continuado a participar de coisas tão gratificantes, faz eu me sentir cada dia mais feliz por ter conhecido e me apaixonado pela proposta do meu curso de Bacharelado em Saúde Coletiva já no primeiro ano do ensino médio. Pois desde então, tenho participado de experiências que estão me fazendo muito bem. Estar na Rede Governo Colaborativo em Saúde, fazendo pesquisas, participando de encontros riquíssimos e contribuindo com o crescimento da produção de conhecimento é um prazer indescritível. Participar da elaboração e implantação do Plano Municipal de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência e ajudar na disseminação das diretrizes das políticas de saúde, junto da Secretaria Municipal da Saúde (que é onde estagio), me faz querer buscar cada vez mais conhecimentos e motivação. Essas são coisas pelas quais ao mesmo tempo em que eu me orgulho, eu agradeço muito por poder participar. E nesse post, não vou nem começar a relatar mais experiências, porque senão vamos até amanhã.
Gratidão.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O que dizer do quarto semestre

Tem sido um ano cheio de polêmicas, isso é fato! Mas cheio de aprendizados também.
Então vamos lá, tá na hora de começar a se despedir e de pensar em coisas novas ou então, ao menos, em inovar!
Acho que é isso que me move, pensar no que pode ser melhor...
E para pensar no que posso melhorar e no que o meu entorno pode melhorar, quero hoje fazer uma breve análise.
O início do quarto semestre começou com muitas novidades para mim. Pois, como já contei em outra postagem, saí de uma bolsa em que eu já estava há um ano e meio para começar em outros dois lugares, na Bolsa de Iniciação Científica na Rede Governo e no Estágio na Secretaria Municipal de Saúde. Mas além disso, minha relação com o curso também mudou durante esse semestre. Isso porque senti muitas pessoas desesperançosas com a política brasileira e com problemas e conflitos que estiveram acontecendo em todo o mundo. E a partir disso, comecei a me sensibilizar mais para uma postura diferente frente a toda esse deslocamento que afetou a todos, ao mesmo tempo em que me senti angustiada em diversos momentos. Surgiram perguntas como: Por que tudo (e todas as relações) é tão complexo e complicado? Como construir um equilíbrio para lidar com tantas informações, em sua maioria ruins, e ao mesmo tempo procurar respostas e formas de contribuir para melhorar esse cenário? Como não perder a motivação?
É um desafio pensar em tudo isso, todos os dias, sem perder o foco das atividades que precisamos cumprir, tiveram vezes que inclusive me frustrei por não conseguir me envolver mais com algumas coisas ou por não entendê-las. Mas foi uma satisfação poder ver exemplos de colegas, professores, monitores que trabalham transformando realidades e condições, ou então, que tentam mostrar caminhos melhores e mais humanizados para diferentes pessoas. E está sendo uma satisfação ver que faço parte de movimentos assim, tanto com estudos, quanto nos espaços de trabalho auxiliando pessoas e ajudando a construir melhores condições.
É um turbilhão de coisas e sentimentos que eu poderia colocar aqui, fico com essas palavras por enquanto, porque nem tudo é possível de expressar.
Até mais,
Luiza

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Visita à Santa Casa

No último sábado, dia 21, participei da última atividade da Ação de Extensão Evolução das Instituições de Saúde: Um Olhar Interdisciplinar. Fizemos a visita ao cemitério e ao museu da Santa Casa. Foi uma visita com uma carga histórica gigantesca e muito interessante, onde pudemos observar aspectos como, por exemplo, a influência de determinantes socioeconômicos na construção dos cenários visitados. 
Atividades como essa, na minha opinião, contribuem de forma muito significativa com nossa formação dentro da Saúde Coletiva. Pois assim podemos observar os movimentos e influencias que compõem o histórico das instituições de saúde. Dessa forma, estaremos mais sensibilizados a perceber as intercorrências que acontecem no meio do caminho e a nos relacionar mais adequadamente com elas em um espaço de gestão e de tomada de decisões.




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

I Fórum em Traumatologia Pediátrica - HPS

O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre promoveu na última sexta-feira, 23, o 1º Fórum Multidisciplinar de Trauma em Pediatria. O evento reuniu especialistas do HPS e de outras instituições para debater a realidade dos atendimentos de emergência em pediatria. A rotina diária tem revelado um aumento preocupante nos casos de crianças com queimaduras graves provocadas por acidentes domésticos. Também tem chamado a atenção das equipes o numero crescente de crianças atingidas por armas de fogo e armas brancas (facas e outros instrumentos perfurantes/cortantes). Este último aspecto é um indicativo claro do impacto da violência urbana nas UTIs pediátricas.
Durante o evento, participei de apenas duas exposições, sobre Epidemiologia da violência urbana na população infanto-juvenil de Porto Alegre, com a psicóloga Sandra Kurtz, da Equipe de Eventos Vitais, Doenças e Agravos Não Transmissíveis, Vigilância de Violência e Acidentes - CGVS   e sobre o Estatuto da Criança e Adolescente e o papel dos equipamentos de proteção social, com a assistente social Cristine Kuss, do Serviço Social do HPS. A primeira apresentou dados dos agravos por causas externas que atingem à população infantojuvenil e que são a 3ª causa de morte em Porto Alegre já superando as Doenças respiratórias, sendo que dos 10 aos 39 anos é a 1ª causa de morte. A segunda apresentação apontou as responsabilidades que o Estatuto da Criança e do Adolescente dirige para a sociedade em geral e, principalmente ao setor público, e mostrou algumas das intervenções que a equipe do HPS faz para tentar garantir uma proteção mais ordenada dos direitos das crianças e adolescentes.
A reflexão proposta foi em cima da questão “Por que é importante fazer a vigilância das violências?” e se apontou que é a partir da vigilância que se tenta identificar onde estão casos de violência envolvendo negligência, trabalho infantil (quase nunca identificado), abusos, dentre outras.
Por fim, fizemos uma reflexão a partir do poema de Manoel de Barros, "O menino que carregava água na peneira".
Tenho um livro sobre águas e meninos.

Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.

Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.

Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos


9ª Semana Acadêmica da Saúde Coletiva

Entre os dias 19 e 23 de outubro ocorreu mais uma Semana acadêmica do curso de Saúde Coletiva. Em sua 9ª edição, o tema foi "Um olhar interior: o que produzimos na Saúde Coletiva?", e trouxe diversos trabalhos que são e estão sendo produzidos pelos próprios alunos do curso em diferentes projetos de Extensão, Pesquisa e para as próprias Unidades que compõem a grade do curso.
Pude notar o quanto a Saúde Coletiva tem buscado seu espaço e o mais interessante disso é que os protagonistas desse processo são os próprios alunos. Pesquisas muito interessantes foram apresentadas, com diferentes metodologias envolvendo, em vários trabalhos, intervenções importantes de serem disseminadas por aí. 
Que continuemos nesse caminho de inovações!

A FUTURA SANITARISTA

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Práticas corporais na promoção da saúde

Entre uma aula e outra, vamos nos dando conta que nem toda ação em saúde é pensada, ou pelo menos, consegue atingir a todas as pessoas, visualizando suas particularidades. Na Unidade de Promoção da Saúde IV, vemos que alguns autores convergem na ideia de que participar de ações para o próprio cuidado é "para quem pode e não para quem quer", e isso é um determinante, principalmente, quando se fala de práticas corporais para a saúde. Luiz Fernando Silva Bilibio, em seu texto "Esquecimento ativo e práticas corporais em saúde", reconhece as práticas corporais como manifestação da cultura corporal e entende que dependendo das condições e da situação as práticas podem representar uma manifestação da intensificação ou de empobrecimento da existência.
Cabe então, a todos nós, usuários e promotores de práticas envolvendo corporeidade e saúde, testarmos nossos limites, cuidadosamente, para estabelecer condicionantes frente ao que se quer e o que se pode praticar.
Para isso, estamos, durante o semestre, tentando desenvolver  atividades dinâmicas com a própria turma, para então observarmos o quão próximas de nós estão ou não as intercorrências envolvendo as práticas corporais. 
Esse é um exercício que pretendo levar ao longo de minha trajetória...
Até logo,
A FUTURA SANITARISTA

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Workshop Internacional Avaliação de Políticas Públicas: Atenção Básica/Primária e Participação Social em Saúde - Experiências da cooperação Itália e Brasil

Teve início, na segunda-feira (21/09), o Workshop Internacional Avaliação de Políticas Públicas: Atenção Básica/Primária e Participação Social em Saúde - Experiências da cooperação Itália e Brasil, que reúne em Porto Alegre pesquisadores, docentes, gestores, servidores e estudantes nacionais e estrangeiros até amanhã, 23 de setembro.
As mesas da manhã de hoje trouxeram as experiências de Maria Augusta Nicoli, da Agenzia Sociale e Sanitária Regionale Emilia-Romagna, Luciano Gomes, da Universidade Federal da Paraíba e Ardigó Martino, da CSI Alma Mater Studiorum Universitá di Bologna, entre outros nomes importantes que fizerem intervenções muito interessantes. O tema principal do Workshop é atenção básica e participação, por isso teve como convidados representantes e servidores dos diversos serviços de Porto Alegre que fazem assistência e gestão nessa área.
Nas apresentações dessa manhã Maria Augusta Nicoli explanou sobre o processo das linhas guias que compõem a atenção básica em saúde na Itália, contando sobre a forma como as comunidades se inserem nesse movimento de construção da linha e a importância dessa participação continuar no monitoramento das atividades posteriores e ligadas a essa implementação. Luciano Gomes, em outra mesa, reforça a importância da avaliação das ações e serviços em saúde, de forma a apoiar o desenvolvimento do conjunto de ações com um olhar para as demandas da população e de seus indivíduos como integrantes principais das complexas redes do sistema de saúde. Após esse momento, Ardigó Martino explanou sobre a transição demográfica que está acontecendo na Itália e mostrou estratégias para enfrentamento das mudanças em relação a demanda de uma população mais envelhecida e com menores taxas de natalidade. 
O evento está sendo organizado pela Cooperação acadêmica entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Alma Mater Studiorum – Università di Bologna (UNIBO) através da Rede Governo Colaborativo em Saúde.