segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Eu no primeiro semestre e o primeiro semestre em mim

Então tudo bem, vamos recapitular o primeiro semestre do curso. Começando pelo dia da recepção dos bixos, que foi lembrado algumas vezes depois, por causa da atividade de entrevistas que fizemos, e assim já começamos a construir um panorama do que se fala e se opina sobre o SUS por aí, por diferentes pessoas. Desta forma, começamos os trabalhos e também a conhecer os colegas e os professores de uma forma muito interativa e de acolhida a todos.
Passam os dias de apresentações das UPP's (Unidades de Produção Pedagógica) do curso e as reflexões mais profundas começam a surgir, discutimos, principalmente, as diferenças entre o campo da Saúde Coletiva e da Saúde Pública, conhecemos um pouco da história de cada campo, as concepções que existem dentro de cada um, e a importância de relacionar aspectos de várias áreas do conhecimento com as práticas de saúde. Enfim, tratamos de vários outros assuntos, abordamos História, Política, Cultura e Sociedade em praticamente todas as aulas e com isso damos o ponta pé inicial de discussões sobre o que, principalmente, faz parte desse universo chamado Saúde Coletiva.
Através da 1ª SISCO (Semana Integrada em Saúde Coletiva), pudemos ver na prática as inovações que vem acontecendo nos serviços de saúde que atualmente contam com mais apoio para tratar de questões sociais e espirituais tanto dos servidores quanto dos pacientes. Percebemos também que todos os serviços precisam pensar estratégias para acolher cada vez melhor às mais variadas culturas. Durante aquela semana, também fomos buscar maior conhecimento do nosso território de cuidado e a diversidade que existe nele, quais as alternativas que as pessoas mais procuram, entre outras formas de cuidado que pode-se identificar através de um diálogo aberto com pessoas que frequentam tal território. Ao final, apresentamos um resumo da semana a partir de uma mandala feita com imagens que representam o que foi tratado nos diferentes locais estudados e com isso pudemos observar que o cuidado em saúde se dá das mais variadas formas e não existe uma só fórmula para melhorar o SUS, o necessário é estudar as políticas a serem aplicadas entre outras tantas atitudes a serem tomadas, levando sempre em conta princípios da Saúde Coletiva.
Nas aulas de Políticas Públicas, discutimos muito sobre o ciclo das políticas: como elas entram na agenda pública, da mídia ou formal e as várias etapas até a sua implementação ou extinção. Também relacionamos, nessa UPP, textos de Michel Foucault com o que podemos ver hoje nos hospitais, dentre outros serviços, espalhados por todo mundo mas principalmente observando o que está próximo de nós.
É claro que estudamos, discutimos e refletimos sobre muitos outros assuntos, eu poderia escrever muitas páginas, mas quero aqui apenas retratar um pouco da complexidade que é o campo da Saúde Coletiva, porque com certeza já pudemos perceber isso e veja que estamos apenas no começo... Concepções estudadas nas aulas de Promoção e Educação em Saúde por exemplo, a primeira vista, parecem ser simples e com propostas que facilmente podem ser praticadas, porém, a grandiosidade de demanda do sistema e as peculiaridades envolvidas no processo de educação em saúde fazem essa tarefa requerer muito esforço para poder ser executada com êxito e abranger a tantas pessoas.
Existe uma coisa que eu já posso dizer: sim, quero ser sanitarista, quero participar dos processos de inovação do SUS, quero também ser pioneira dessa nova proposta que a Saúde Coletiva traz e que já está se espalhando pelo mundo inteiro. AbraSUS, e que venham os próximos semestres!

A futura sanitarista,
Luiza

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Exercitando a reflexão crítica - 3 - analisando imagens:


A igualdade permite a diferença, já a desigualdade permite a guerra.

Quantas vezes em nossa vida nos perguntamos o porquê de algumas pessoas serem diferentes das outras? Será que vemos o diferente da forma com a qual o mundo permite que ele exista? Ou seja, estamos levando em conta as condições sociais, culturais, econômicas, religiosas, etc. para julgar o que é ou não diferente ao que estamos acostumados?
O campo da Saúde Coletiva, por estudar e seguir princípios da equidade e da alteridade busca ferramentas para amenizar as desigualdades, reconhecendo que a igualdade se faz respeitando as diferenças culturais e socioeconômicas. A partir do princípio da alteridade pretende-se reconhecer que o outro existe como inseparável do eu particular, ou seja, o outro nos influencia e faz parte da nossa história mesmo quando completamente diferente de nós.
Existimos como membros de uma sociedade apenas através das relações pessoais e só poderemos construir melhores condições de vida conservando essas relações saudavelmente, reconhecendo e respeitando as diferenças individuais.  


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Exercitando a reflexão crítica - 2 - analisando imagens:

Vivemos debatendo sobre os conceitos e concepções do que significa "normal" e "patológico", "saúde e "doença", sendo possível desenvolver longas conversas e algumas críticas sobre o modelo hegemônico que existe atualmente no sistema de saúde brasileiro. 
Observando a imagem acima, podemos identificar a posição que tomam uma grande parte dos médicos desse modelo. Falamos daqueles que se colocam, perante a sociedade, como sendo "seres superiores" por terem adquirido conhecimento científico. Aqueles que se colocam em uma zona de conforto (criando padrões de normalidade) e criam barreiras (às vezes representadas até pela própria mesa do consultório), o que lhes dá proteção e que serve de justificativa para estabelecer limites na relação médico/paciente.
Infinitas análises podem ser feitas a partir da observação da imagem e dos casos que acontecem cotidianamente nos serviços de saúde, mas o que principalmente precisamos entender é que construímos, conjuntamente, a otimização das ações de promoção da saúde, que fujam dos padrões de normalidade pré-estabelecidos, e uma melhor atuação dos profissionais da saúde, através de atividades integradoras que melhorem as relações interpessoais dentro dos serviços. 

  

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Exercitando a reflexão crítica:

Texto - Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.
Paulo Freire

  Um dos saberes primeiros, indispensáveis a quem, chegando a favelas ou realidades marcadas pela traição a nosso direito de ser, pretende que sua presença se vá tornando convivência, que seu estar no contexto vá virando estar com ele, é o saber do futuro como problema e não como inexorabilidade. É o saber da História como possibilidade e não como determinação. O mundo não é. O mundo está sendo. Como subjetividade curiosa, inteligente, interferindo na objetividade com que dialeticamente me relaciono, meu papel no mundo não é só o de quem constata o que ocorre, mas também o de quem intervém como sujeito de ocorrências. Não sou apenas o objeto da História, mas seu sujeito igualmente. No mundo da História, da cultura, da política, constato não para me adaptar mas para mudar. No próprio mundo físico minha constatação não me leva à impotência. O conhecimento sobre os terremotos desenvolveu toda uma engenharia que nos ajuda a sobreviver a eles. Não podemos eliminá‐los mas podemos diminuir os danos que nos causam. Constatando, nos tornamos capazes de intervir na realidade, tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do que simplesmente a de nos adaptar a ela. É por isso também que não me parece possível nem aceitável a posição ingênua ou, pior, astutamente neutra de quem estuda, seja o físico, o biólogo, o sociólogo, o matemático, ou o pensador da educação. Ninguém pode estar no mundo de luvas nas mãos constatando apenas. A acomodação em mim é apenas caminho para a inserção, que implica decisão, escolha, intervenção, realidade. Há perguntas a serem feitas insistentemente por todos nós e que nos fazem ver a impossibilidade de estudar por estudar. De estudar descomprometidamente, como se misteriosamente, de repente, nada tivéssemos que ver com o mundo, um lá fora e distante mundo, alheado de nós e nós dele.

Impressiona a forma sintética com a qual Paulo Freire nos inquieta, a partir deste texto, em relação a enorme responsabilidade que o estudo tem de provocar mudanças e de superar constatações. O autor nos revela o quão capaz é o ser humano de gerar saberes e intervir na realidade e o quão fundamental o estudo se torna frente a tais intervenções. E a maioria de nós sabe, ou deveria saber, que para 'movermos' o mundo precisamos ser capazes de fazer constatações, até para nos apropriarmos do real conhecimento, mas principalmente transcender essa ação, ou seja, colocar os saberes em prática, refletir sobre eles, analisá-los, avaliá-los, entre outros aspectos, que cabem também às características de um sanitarista. A Saúde Coletiva, principalmente, como campo do conhecimento busca compreender e implementar essa convicção da possibilidade de mudança que Paulo Freire contextualiza. Somos todos sujeitos do mesmo mundo e necessitamos agir como tal, buscando conhecimento, fazendo constatações e intervindo, ou seja, mudando!

A futura sanitarista,
Luiza

terça-feira, 29 de abril de 2014

Entrando para o mundo da Saúde Coletiva...

Eu nunca imaginei que um curso universitário criaria tantas incógnitas na minha vida. Eu já fiz o vestibular tendo certeza de que era Saúde Coletiva o que eu queria e agora me surpreendo cada vez mais com o tanto de coisas que eu nem imaginava e que esse curso aborda. Mas hoje quero apenas falar um pouco sobre a minha trajetória até aqui e como foi dar início a essa nova etapa.

Concluí o Ensino Médio na cidade de Estrela-RS, no Colégio Santo Antônio. Até o primeiro ano do Ensino Médio a minha ideia era de ser professora, não sabia se de História ou Geografia. Enfim, numa das discussões sobre o que fazer após o Ensino Médio, ainda no primeiro ano, um de meus professores falou sobre o curso Gestão de Saúde (ele não sabia ao certo o nome do curso) e disse que era uma área que necessitava muito de profissionais qualificados, entre outras coisas. Então, fui pesquisar sobre o curso! E descobri, em 2011, que na UFRGS, existia o curso de Análise de Sistemas e Políticas de Saúde. De cara eu gostei da proposta do curso. Mas foi só no terceiro ano do Ensino Médio que eu tive a certeza de que era Saúde Coletiva o que eu queria. Participei do “UFRGS de Portas Abertas”, onde descobri que o nome do curso havia mudado, assisti à apresentação e comprei o livro do curso, escrito pelos próprios alunos e então pude ver como a vida de uma pessoa poderia mudar após vivenciar tudo o que o curso oferece: uma nova forma de aprendizagem; um novo olhar sobre a saúde; uma forma diferenciada de instigar as pessoas a fazerem a diferença.
E agora falta me perguntar: O que eu trago para o curso? Uma enorme vontade de aprender e duas grandes necessidades: a de interagir com diversas pessoas e a de ter um momento particular para refletir, entre outros aspectos, sobre as diversas conexões que a Saúde Coletiva faz e pode fazer.Basicamente, essa é minha trajetória de conhecimento do curso e entendimento do que eu busco e trago como necessidade. E é com grande entusiasmo que dou início aos meus relatos sobre a minha vida na Saúde Coletiva.

A futura sanitarista,
Luiza