quarta-feira, 1 de julho de 2015

Estudo das populações negra e indígena na modalidade EaD do curso de Saúde Coletiva

Hoje trago minhas reflexões sobre os temas discutidos nos primeiros quatro módulos da Unidade de Tópicos Integradores em Saúde Coletiva III, modalidade EaD, do curso. A UPP, durante o primeiro semestre de 2015, abordou os temas acerca do que é o quesito raça/cor/etnia, racismo e gênero, racismo institucional, Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, e Saúde da População Negra e Indígena e o SUS. As discussões foram realizadas a partir de fóruns, que tiveram como base diversas produções textuais e audiovisuais.
No primeiro módulo, o fórum serviu para uma introdução da turma ao tema, onde pudemos além de colocar nossa visão sobre o que conhecíamos previamente, discutir acerca de dois vídeos. O primeiro e mais longo vídeo, intitulado “Vista minha pele”, permitiu-nos refletir sobre como seria se, historicamente, os brancos tivessem sido escravizados e consequentemente subalternizados pela sociedade. Para muitos, foi a primeira vez que este ponto de vista foi colocado, o que acabou sensibilizando a todos e motivando ao debate. O segundo vídeo, expõe a visão do Gustavo, um menino de 10 anos, que fala sobre a importância das culturas africana e afrodescendente serem ensinadas nas escolas do Brasil. Ele coloca sua opinião de forma muito inteligente, sem se limitar às produções sobre essa cultura, mas falando da importância dessa disseminação, do racismo em geral e sua visão sobre as principais consequências dele. Observando aos materiais disponibilizados, foi possível introduzirmos ao tema, tendo um pouco mais noções sobre a importância de reflexões sobre ele em mais espaços, tanto cotidianamente (nas esferas públicas e privadas), quanto ao longo da graduação. Além disso, durante esse primeiro momento, outros materiais foram disponibilizados pelos colegas e pela professora enriquecendo ainda mais o debate e facilitando as formas de relacionar o tema com outras áreas.

O segundo módulo trouxe para debate o artigo de Laura Cecília López, “O conceito de racismo institucional: aplicações no campo da saúde”, publicado na Revista Interface – Comunicação, Saúde, Educação, no ano de 2012. Foi um importante material de análise sobre o que temos como base teórica para debatermos o assunto, ainda mais sendo focado para o campo da saúde, onde o Brasil enfrenta duros problemas com o racismo institucional. A autora, além de trabalhar o conceito em questão, traz relações dele com as disputas do movimento negro e suas conquistas atreladas às políticas públicas, trabalha sobre a dimensão histórica do racismo institucional brasileiro, sobre as tecnologias que passaram a existir nos serviços do sistema de saúde do país, sobre as relações de biopoder envolvidas no estabelecimento de benefícios e oportunidades aos diferentes segmentos da população do ponto de vista racial e enfatiza a importância e a necessidade de pesquisas qualitativas de abordagem etnográfica que reflitam sobre como estão operando as instituições frente a esse tema. Assim como no primeiro fórum, foram trazidos outros materiais, porém buscou-se focar no debate acerca do que está colocado no artigo. Então, foi possível identificar que, por muitos anos, esta reflexão sequer chegava à academia e por isso ainda acontecem casos de extrema opressão e indignidade ligados à população negra nos serviços de saúde e em tantos outros.
Durante o terceiro módulo discutimos a importância das instituições conhecerem o perfil étnico-racial da população do Brasil. Para tanto, nos foi disponibilizado o manual “Como e para que Perguntar a Cor ou Raça/Etnia no Sistema Único de Saúde?” e o vídeo “Quesito cor”. O primeiro material trata sobre a importância do acolhimento, da orientação e do encaminhamento dos usuários nos serviços de saúde, sobre o sistema de informações de usuários(as) dos serviços de saúde e enfoca nas questões entorno da informação e coleta do quesito cor ou raça/etnia, mostrando os métodos e os motivos dessa coleta. Já o vídeo enfatiza que é necessário, para a formulação de políticas públicas, o conhecimento desses quesitos, afim de combater a desigualdade social do país, que impacta ainda mais na população negra. Ele denuncia os agravos que atingem com maior incidência essa população e também entrevista pessoas na rua para mostrar o que elas entendem como sua cor/raça, colocando o quão importante é que todas as pessoas saibam o que é racismo. No fórum desse módulo, foi trazida a necessidade de sensibilizar aos servidores do sistema de saúde para o levantamento do quesito raça/cor e de como fazer essa abordagem para que não haja um afastamento ainda maior de negros e negras dos serviços de saúde.

No quarto módulo, trabalhamos em cima do boletim “Análise do Quesito Raça/Cor a partir de Sistemas de Informação da Saúde do SUS” publicado pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, em 2011. O material, além de fazer uma análise pelo recorte étnico-racial, incentiva aos serviços sobre a forma correta de trabalhar com esses dados e traz gráficos que ajudam a identificar a distribuição da população negra, os agravos mais incidentes, etc. Para o fórum realizado durante esse módulo, tivemos de buscar informações no boletim, sobre os agravos e doenças prevalentes nas populações que estivemos estudando, para podermos identificar alguns motivos para esta prevalência, e quais os determinantes para que essas populações sejam mais vulneráveis e refletirmos a partir disso sobre possíveis intervenções, ações e políticas. Conversamos também sobre a legislação (portarias e decretos) que dão suporte às ações já existentes voltadas para negros(as) e indígenas, e a importância de servidores e gestores estarem cientes do que consta em tais documentos, a fim de agirem adequadamente dentro dos serviços e no planejamento de novas ações.
As discussões contribuíram com a nossa formação crítica para que possamos pensar em como enfrentar os problemas ligados ao racismo e à discriminação de populações vulneráveis, tanto cotidianamente quanto institucionalmente, tendo o embasamento teórico e o compartilhamento de ideias para isso. A forma como os colegas empenharam-se em não estarem limitados apenas ao estudo dos materiais disponibilizados é um processo didático que merece destaque.  Também é necessário que este debate não esteja limitado aos fóruns e seja levado para outras esferas dentro e fora da universidade, pois é a partir de ações como essa que mudanças reais no quadro epidemiológico e de inclusão social das populações negras e indígenas, historicamente marginalizadas, podem acontecer. Precisamos criar um olhar de respeito às diversidades socioculturais e esse processo somente será possível com diálogos e intervenções que tenham envolvidos neles indivíduos provindos de diferentes realidades com a mesma oportunidade de se pronunciar nos espaços de debate, negociações e planejamento de ações.
Até mais,
A FUTURA SANITARISTA



segunda-feira, 22 de junho de 2015

Perspectivas para a Comunicação em Saúde que queremos

“A Comunicação está vinculada ao campo da Saúde, desde os princípios do século XX, tomando-se como marco a criação, em 1923, do Serviço de Propaganda e Educação Sanitária, no então Departamento Nacional de Saúde Pública. Na época, as descobertas da ciência apontavam a existência de agentes patológicos específicos para cada doença e processos de transmissão, o que deslocava a atenção das condições socioambientais para o indivíduo e colocavam no centro das prioridades as medidas de higiene. Em decorrência, apontava para a necessidade da mudança de comportamento e de hábitos, vistos como causa das doenças, portanto, indesejáveis à saúde.” (Araújo; Cardoso; Murtinho, 2009)
Como podemos visualizar na citação acima, as formas de comunicação em saúde, do século passado, eram um reflexo do que toda a área da Saúde Pública considerava como foco, A DOENÇA. Com o passar dos anos e com as mudanças ocorridas através de movimentos como a Reforma Sanitária, o aumento da participação popular, a mudança do semblante das Universidades e consequentemente dos serviços em geral, dentre outros processos, fez com que, pouco a pouco, a Comunicação em Saúde fosse agregando novos campos para a elaboração de suas ações. Mesmo assim, ainda há muito que se desenvolver em relação ao tema e um dos principais desafios é mudar a forma de encarar a comunicação como sendo, fundamentalmente, um instrumento de transmissão de informações.
No curso de Saúde Coletiva, mais especificamente na Unidade de Tutoria desse terceiro semestre, a partir de debates e explanações sobre o tema, podemos observar alguns modelos de Comunicação em Saúde que tentam atingir aos indivíduos de formas muito inovadoras. Então gostaria de compartilhar alguns materiais a que tivemos acesso.
Na aula do dia 14 de maio, conhecemos o Régis que nos apresentou o projeto Caminhos do Cuidado, iniciado em 2013, que oferece formação em saúde mental, crack e outras drogas para agentes comunitários de saúde e auxiliares e técnicos em enfermagem da Atenção Básica. O projeto conta com uma Equipe de Comunicação que é responsável pela criação da identidade visual do Caminhos do Cuidado, e pela produção visual, em diferentes mídias, de todo o material de divulgação e didático, em consonância com o Ministério da Saúde. Um dos materiais apresentados para a turma foi o vídeo “Crack! Crack?”, que trata do tema de forma lúdica, artística e com humor facilitando o diálogo sobre as questões relacionadas.



Outro projeto que ficou conhecido entre os alunos do curso, foi o da ONG Doutorzinhos, que realiza atividades em diversos hospitais com pacientes e servidores, ela se apresenta da seguinte maneira: “Somos palhaços. E ser palhaço no hospital é saber ler os sentimentos, diagnosticar sintomas do humor e transformá-los em alegria. Acreditamos que o humor promove uma atitude positiva, contribuindo diretamente na recuperação dos pacientes. Oferecemos aos pacientes e equipe hospitalar um local de experimentação do riso, estabelecendo uma conexão entre os sentimentos de cada um. Somos agentes terapêuticos no processo de humanização da saúde, levando alegria para as crianças e adultos hospitalizados, bem como a todos os profissionais das instituições.”.
O material audiovisual apresentado às turmas do curso no dia 11 de junho, durante o fórum dos alunos, foi o seguinte:


É claro que estes são dois dos inúmeros exemplos que existem da construção que está sendo realizada para aprimorar os instrumentos de Comunicação em Saúde e para a saúde, porém, acredito que as chances desse cenário se desenvolver amplamente são bem maiores a partir da multiplicação desse tipo de ação. A referência abaixo contém o trecho citado no início desse post e é uma boa indicação de leitura para entender como o tema está sendo desenvolvido dentro do próprio SUS.


ARAUJO, I. S.; CARDOSO, J. M.; MURTINHO, R. A Comunicação no Sistema Único de Saúde: cenários e tendências. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 6, n. 10, p. 104-115, 2009. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2015

Até mais,

A FUTURA SANITARISTA

Guia pessoal da transição entre a segunda e a terceira etapa do curso de Saúde Coletiva

O objetivo desta postagem, é relatar, brevemente, como aconteceu a transição do segundo para o terceiro semestre do curso de Saúde Coletiva. Farei isso de forma bastante esquematizada, a fim de servir como um guia pessoal de consulta, sem seguir as recomendações para a elaboração de portfólio que são enfatizadas desde o início da graduação. Listarei as Unidades de Produção Pedagógicas do segundo semestre e seus respectivos temas e introduzirei o que está sendo abordado no terceiro semestre.

Unidades da 2ª etapa do curso:

  1. Unidade de Tópicos Integradores em Saúde Coletiva II, abordando o tema relativo à Atenção Psicossocial: O cuidado em Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas no SUS e dividida nos módulos I. Breve História da Loucura e das Reformas Psiquiátricas; II. Conceitos, Premissas Éticas e Modelos de Atenção no campo da Saúde Mental e Atenção Psicossocial; III. Rede de Atenção Psicossocial e Políticas de Saúde Mental; IV. Políticas sobre drogas e suas tendências no Brasil e no mundo; V. Montando a Rede de Atenção Psicossocial RAPS de Corvalina (município imaginário estudado durante a UPP).
  2. Unidade de Saúde, Sociedade e Humanidades II, na qual tratamos dos temas da Vigilância Sanitária e Ambiental, dos Resíduos dos Serviços de Saúde, dos Resíduos Sólidos Urbanos, Saneamento Básico e Saúde Pública.
  3. Unidade de Planejamento, Gestão e Avaliação em Saúde I, com introdução ao uso de tabuladores, pesquisas em fontes de bases secundárias de dados e informações (Datasus, Tabnet, Tabwin), noções básicas sobre cálculos de análise descritiva, Atenção Básica (Primária) à Saúde, aproximação e exploração à distância das regiões e municípios, debatemos sobre o uso de portfólio, noções elementares sobre análise de situação de saúde, Média e Alta Complexidade, programação de procedimentos, definição de indicadores de oferta e cobertura a partir de estudos de caso municipal.
  4. Unidade de Pesquisa em Saúde e Bioestatística II, abordando análise situacional de saúde e observação das comunidades, elaboração de poster, Elementos da Pesquisa, Ética nas Pesquisas, normas ABNT, como elaborar um Tema de pesquisa a partir de um Problema, como elaborar uma Apresentação.
  5. Unidade de Políticas Públicas e Sistemas de Saúde II, onde estudamos a história e a evolução das Políticas de Saúde no Brasil, fizemos cartografia de cidades, trabalhamos com o tema Cidades Utópicas, estudamos alguns conceitos do SUS e sua organização e utilizamos da ferramenta audiovisual para apresentação de temas relevantes na área da saúde.
  6. Unidade de Análise de Situação de Saúde e Vigilância à Saúde I, na qual estudamos o modelo da História Natural da Doença, os Modelos de Atenção à Saúde, tipos de vigilância, doenças emergentes, doenças negligenciadas e fizemos intervenções educativas sobre assuntos relacionados com o tema da vigilância à saúde.
  7. Unidade de Tutoria II, com dinâmicas sobre o tema Coletividades, discussões para elaboração do Portfólio reflexivo, debate sobre as inovações na formação dos sanitaristas e exercício sobre autoavaliação.
  8. Unidade de Promoção e Educação da Saúde II, com a temática dos Movimentos Sociais e formação da agenda pública, estudo das populações vulneráveis e das políticas elaboradas a tais grupos e estudo da Política Nacional de Educação Popular.     
Diversas outras atividades foram realizadas ao decorrer do semestre, tudo isso colaborou para um crescimento imenso da nossa compreensão sobre toda a área da saúde, sua complexidade e nos permitiu identificar melhor qual no nosso papel e o nosso lugar como futuros sanitaristas. O desenvolvimento das UPPs vêm acontecendo no terceiro semestre, com diferentes discussões, mas a partir de agora, seguirei trazendo temas de relevância para toda a área, fazendo relações e críticas entrelaçadas com minha bagagem recolhida até aqui através do curso, mas é claro com possibilidades de recapitulações como a de hoje.
*texto elaborado a partir de março de 2015

A FUTURA SANITARISTA

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Visita ao Ambulatório de Dermatologia Sanitária

Hoje, pela manhã, eu e meus colegas Maurício e Vânia, tivemos o privilégio de conhecer um pouco mais sobre o Ambulatório de Dermatologia Sanitária, localizado na Av. João Pessoa. A visita foi em função de um trabalho da UPP de Análise de Situação de Saúde e Vigilância à Saúde, ministrada pela professora Stela. O trabalho tem como objetivo conhecer os fluxos de alguns serviços de vigilância epidemiológica de Porto Alegre. Descobrimos que institucionalmente, o Ambulatório não é um serviço de vigilância epidemiológica, mas ele contribui com notificações, programas de prevenção, identificação, entre outras tarefas que cabem dentro das ações de vigilância à saúde.

Ao chegarmos, fomos recebidos pelo colega da Saúde Coletiva, Paulo César, que trabalha no Ambulatório há cerca de 20 anos, e pela Assistente Social Niara. Ao longo da visita, fomos percebendo alguns problemas relacionados à infraestrutura e o quão enorme é a complexidade de lidar com tais problemas, pois os processos de negociação passam por setores e entidades ora municipais, ora estaduais ou ainda do Ministério. Mesmo assim, a organização do serviço, parece funcionar muito bem e isso deve acontecer pois, como pudemos perceber, existe uma boa relação e comunicação entre praticamente todos os profissionais que trabalham no local. E não poderia ser diferente, porque como nos foi passado, a demanda do serviço é enorme. Um exemplo disso, é a farmácia que ali funciona, que atende à segunda maior demanda de medicamentos para tratamento de HIV/AIDS de todo o Brasil. 

Quem nos contou sobre como é o funcionamento da Farmácia do Ambulatório foi a farmacêutica e sanitarista Silvana, que além de nos receber muito bem, nos explicou como funciona o SICLOM (Sistema de Controle Logístico de Medicamentos) que "possui três funcionalidades principais: cadastramento dos pacientes em tratamento, controle da dispensação mensal de medicamentos, controle de estoque dos medicamentos anti-retrovirais e dos medicamentos para tratamento das infecções oportunistas nas farmácias", além de garantir aos pacientes atendimento farmacêutico em todo o território nacional. Percebemos também, que a acessibilidade ao setor da farmácia, dentro do serviço, ocorre de maneira bem horizontal, articulada e organizada, mesmo o espaço físico sendo extremamente pequeno.

Sobre as notificações dos novos casos de doenças, um dos assuntos mais enfocados na visita em função do nosso trabalho, ficou claro que isso exige um grande comprometimento dos profissionais com sua própria responsabilidade de notificar da melhor forma possível e de alimentar corretamente ao banco de dados. Realizadas mensalmente, as notificações, mesmo quando feitas da forma correta, nem sempre são aproveitadas plenamente, pela dificuldade de acesso aos bancos de dados por parte dos profissionais. Isso exige do profissional, uma sensibilidade ainda maior, levando em conta que ele precisa estar, permanentemente, se atualizando frente às prioridades de enfrentamento para garantir que as ações corretas de promoção da saúde, controle de doenças e prevenção de agravos sejam realmente realizadas. 





A futura sanitarista,
Luiza

domingo, 9 de novembro de 2014

Exercício nosso de cada dia

O semestre vai se encaminhando ao final e algumas reflexões importantes começam a ser realmente internalizadas por mim somente agora. Não é que antes elas não tenham sido propostas, mas parece que algumas coisas apenas assumem sentido para nós mesmos quando alguma coisa realmente conflita com o que estamos habituados. Quero dizer que, agora, depois da última aula da UPP de Tutoria, entendo que tudo isso de produzir textos, refletir muito sobre diferentes materiais, se expressar de forma realmente clara, profunda e que retome o que compreendemos do que nos é passado a cada dia, é uma tarefa que exige MUITO exercício.
Sim, eu estou falando da experiência de fazer um portfólio (blogfólio no meu caso)!
No texto, Portfólio reflexivo: uma proposta de ensino e aprendizagem orientada por competências (Cotta, Costa e Mendonça, 2013) é tratado, entre outras coisas, sobre a responsabilidade dos professores quando se coloca: “Na prática isso significa preparar os estudantes para um aprendizado autônomo, definido por Freire como um aprender que respeita a curiosidade do educando, sua inquietude e linguagem, incentivando a liberdade e a busca de identidade no processo de ensino-aprendizagem”. Porém, eu penso que, assim como nenhum texto aqui é postado por vontade própria, qualquer esforço dos professores de nada vale se tomarmos uma posição rígida ao que nos é colocado, é preciso sim, nos desdobrarmos pra colocar o que absorvemos de conhecimento em evidência.
Isso é só uma das questões que estão efervescendo em mim... Daqui em diante espero que isso aconteça muito mais e de uma forma muito mais profunda!

Até logo,
A Futura Sanitarista,

Luiza

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobre questões que não têm resposta...


6/out/2014, 17h19min
DMLU recolhe 45 toneladas de resíduos eleitorais nas ruas
Entre o dia 24 de setembro e a madrugada desta segunda-feira, 6, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) recolheu 45 toneladas de resíduos eleitorais, como cavaletes, placas e outros materiais de campanha irregularmente expostos nas ruas de Porto Alegre. Das 22h do último sábado (4) e 1h desta segunda-feira (6), foram recolhidas 35 toneladas de resíduos.


O serviço de fiscalização do DMLU emitiu 270 autos de infração até as 17h de domingo, 5. Agentes da fiscalização do departamento estavam nas ruas para fazer valer o Novo Código Municipal de Limpeza Urbana 728/14, que prevê multas a quem descartar resíduos em locais inadequados.

De acordo com o supervisor administrativo e financeiro do DMLU, Gustavo Fontana, a operação contou com mais de 920 trabalhadores e teve 73 caminhões para recolher os resíduos. Nesta segunda, 650 garis manterão a varrição dos locais de votação. “Em 2012, recolhemos 70 toneladas de resíduos na época da eleição. Acreditamos que este ano o volume irá cair até o final do segundo turno, em função da fiscalização e aplicação do Novo Código”, avalia.

Desde o início do período eleitoral, em julho, o DMLU está atuando em conjunto com a Justiça Eleitoral pela manutenção da limpeza da cidade e no recolhimento de cavaletes e propagandas irregulares nas vias públicas.


Notícia:
http://www.sul21.com.br/jornal/dmlu-recolhe-45-toneladas-de-residuos-eleitorais-nas-ruas/

Vídeo de crítica:
https://www.youtube.com/watch?v=lt9rOOiOEU0&feature=youtu.be

É imprescindível para a área da Saúde tratar de assuntos como o que foi relatado na notícia acima. Os problemas com poluição (nesse caso, tanto ambiental, quanto visual), que justamente deveriam ter lançadas propostas para serem solucionados por estes que, no período eleitoral, sempre os agravam, são discutidos há anos e mesmo que se tenham visto propostas de práticas mais conscientizadoras nos últimos anos, sempre nos surgem dúvidas sobre a real aplicação delas.
Segundo Murilo Justino Barcelos "A exploração dos grandes centros urbanos e as poluições advindas da iniciativa privada devem ser geridas incondicionalmente pelo estado, e pela particularidade que o centro possui, cabe ao município e seus munícipes se manifestarem e atuarem conjuntamente na busca pela defesa de uma paisagem urbana satisfatória." Lendo isto, tendo a ficar confusa, pois parece que aqueles que deveriam atuar frente a esta questão, se escondem no período eleitoral, e mesmo quando as consequências do excesso de material produzido e da descontrolada disposição desses materiais aparecem, praticamente ninguém e nenhum órgão se manifesta. E então como ficamos?

Debate: Movimentos Sociais no Século XXI

                Hoje resolvi falar um pouco do que tá rolando nas aulas de Promoção e Educação da Saúde, onde estamos conhecendo uma pouco mais sobre a organização dos Movimentos Sociais. Então, em uma das aulas da semana passada assistimos ao debate Movimentos Sociais no Século XXI, apresentado pelo programa Melhor e Mais Justo, da Rede TVT, que começa tratando da situação atual de alguns movimentos representados por convidados e dos movimentos sociais em geral. Os convidados são a Professora Dr.ª Zilda Iokoi do Laboratório de Estudos Sobre Intolerância da USP, Brunno Almeida Maia, Militante do Núcleo Municipal LGBT/PT – SP e Ana Paula Herles Ribeiro, Militante do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST). Eles debatem aspectos institucionais dos movimentos, suas ligações ou autonomia em relação às instâncias do Estado, explanam suas demandas mais atuais, seus adversários e como um movimento social se mantém ou se reorganiza.
            Segundo Ilse Scherer-Warren “o movimento social atua cada vez mais sob a forma de rede, que ora se contrai em suas especificidades, ora se amplia na busca de empoderamento político”. Percebi um pouco disso no discurso de Brunno e Ana Paula sobre os movimentos que representam. Ele fala do movimento LGBT que adentrando-se ao PT, coloca-se junto a um grupo que atualmente tem muito poder político. Ela coloca que o MTST busca por autonomia, afim de não sofrer influências dos governos sobre a organização de suas demandas, entre outros aspectos do movimento. Diante disso, a Prof.ª Zilda enfatiza a importância de reconhecer que quando o partido chega ao poder não é certo que ele responda mais às demandas do movimento social pois para isso estaria utilizando de uma estrutura de poder. Eu, particularmente, não sei se isso acontece na prática, penso que todo projeto político estabelece interesses e estratégias prioritárias, se ele chega ao poder e demandas de determinados movimentos sociais fazem parte do projeto, ele pode influenciar nas respostas a essas demandas (a não ser que isso infrinja alguma premissa ética ou algo do tipo).
A Professora Zilda fala também sobre o fato de os movimentos sociais terem de se reorganizar, muitas vezes, após conquistas e avanços. A partir desse momento, a sua institucionalidade vai contra a sua real demanda. Por isso, vejo a necessidade dos movimentos estarem constantemente se questionando sobre quais são as demandas prioritárias, quais avanços ou retrocessos já aconteceram e, principalmente, sempre estarem verificando aquilo que, segundo Ilse Scherer, os configura como movimentos sociais: identidade, adversário e projeto.
Ao longo do debate, pude perceber que podem existir outros questionamentos que ajudam a manter os movimentos sociais na busca pelo desenvolvimento de seus discursos mobilizadores e, consequentemente, pelas respostas a suas demandas. Um desses questionamentos poderia ser traduzido da seguinte forma: “Como estabelecer diretrizes firmes e que contribuam para o combate ao conservadorismo e à invisibilidade?” Talvez, exista uma resposta diferente, para esta questão, em cada movimento social, o importante é perceber que eles precisam elaborar estratégias para não se desviarem dos seus principais objetivos ao longo da própria caminhada, para se tornarem visíveis e também estarem atentos às mudanças naturais que vão acontecendo ao longo do desenvolvimento do debate acerca de suas causas. Eu vejo a percepção disto como algo importante pois, a exemplo das discussões sobre as questões envolvendo a homossexualidade feminina, que surgiram na década de 80, no contexto do grupo SOMOS, e que de início não tiveram potência dentro do movimento fez com que esse grupo colocasse em prática algumas estratégias, como se aproximar do movimento feminista: “A aproximação destas mulheres com as agendas do movimento feminista proporcionou que temas como o machismo, a misoginia e a própria invisibilidade feminina, entrassem na pauta dos movimentos de lésbicas e mulheres bissexuais, qualificando as discussões e evidenciando as lutas por demandas específicas desses grupos.” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, Política Nacional de Saúde Integral LGBTT, 2010)

O contexto que envolve os Movimentos Sociais exige muito conhecimento histórico acerca deles e uma visão muitos dinâmica sobre os conceitos, premissas e concepções que podem aparecer nos movimentos em geral. Além de conhecer sobre o que define um Movimento Social, é preciso entender como ele pode surgir, como e sobre o que ele gera demandas. 
E a visão do Sanitarista?
Além de refletir e elaborar críticas argumentativas sobre este assunto, o Sanitarista deve estar atento ao tipo de organização dos Movimentos Sociais por eles serem formas de elaborar estratégias que respondam à demandas da sociedade. Assim como acontece durante o ciclo de uma política pública, as demandas de um movimento surgem a partir de uma consciência coletiva de que algo precisa ser discutido e/ou transformado, da mesma forma como acontece quando se percebe que algum tema deveria entrar na agenda pública, da mídia ou do governo. 
A futura sanitarista,
Luiza