- por Rede Governo Colaborativo em Saúde
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
O semestre começou diferente, Semana Pedagógica e Atividade Integradora
terça-feira, 2 de agosto de 2016
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
domingo, 3 de julho de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Qual é o tema da vez?
No ano de 2015, iniciou no Brasil uma mobilização a partir do aparecimento de casos de contaminação pelo vírus da Zika, que passou a assustar a população e desencadear ações e campanhas de informação e prevenção da doença, modificação e qualificação dos fluxos e orientações para atendimento e diagnóstico do vírus no Sistema de Saúde do país. Dentro da Universidade, o momento é de reflexão e captação de informações sobre tudo o que cerca o Zíka vírus. Frente a isso, o presente trabalho traz uma síntese do que já se sabe sobre o vírus e o seu vetor de transmissão, assim como uma análise crítica acerca das origens, dos impactos e da organização para o enfrentamento desta epidemia.
O Zika é um vírus primeiramente identificado em macacos, na Uganda em 1947, em monitoramento da febre amarela. Foi identificado em seres humanos a partir de 1952 na Uganda e Tanzânia. Já no Brasil e Colômbia, os relatos de casos começaram em 2015. A maior possibilidade da entrada do vírus no país está ligada ao tráfego aéreo, e para que o patógeno passe a infectar uma população é necessária a presença do vetor, o mosquito Aedes aegipti. Por isso, Pedro Vasconcelos do Instituto Evandro Chagas, sugere em um dos vídeos da OPAS/OMS que somente uma ação integrada entre países poderá diminuir com a quantidade de mosquitos e consequentemente reduzir a probabilidade do número de casos.
Os principais sintomas causados pelo Zika vírus são os seguintes:
● Dor de cabeça
● Febre baixa
● Dores leves nas articulações
● Manchas vermelhas na pele
● Coceira e vermelhidão nos olhos
Em torno de 80% dos casos de Zika são assintomáticos. Quando o caso apresenta sintomas, dura de 3 a 7 dias. João Méndez, Acessor Regional de Enfermidades da OPAS/OMS, coloca que os primeiros cinco dias pertencem à fase aguda da doença e são os dias mais indicados para o diagnóstico preciso da presença do vírus. Por isso, ele espera que o sistema de vigilância busque assegurar que os pacientes com suspeita de infecção sejam diagnosticados nessa fase.
Sabendo da dificuldade de se fazer o diagnóstico preciso da infecção após a fase aguda, consideramos extremamente necessárias ações que auxiliem aos serviços a atenção devida que deve ser dada aos sintomas. Essa ação, também deve abranger a população para que o maior número de pessoas consiga distinguir quando deve procurar as unidades e ao mesmo tempo poder orientar pessoas próximas.
O mosquito Aedes Aegypti, é caracterizado por medir em torno de 1cm, ser preto ou marrom, com manchas brancas no corpo e pernas. Originário do Egito, a dispersão pelo mundo ocorreu da África, primeiro da costa leste do continente para as Américas, depois da costa oeste para a Ásia. O mosquito fêmea suga sangue para produzir ovos e se estiver infectado, poderá transmitir o vírus neste processo. O Aedes aegypti é um mosquito doméstico, que vive próximo ao homem e com hábitos diurnos. Reproduz-se na água parada a partir da postura de ovos pelas fêmeas.
A dengue, que já é uma doença mais conhecida no Brasil, também é transmitida pelo Aedes e provoca os seguintes sintomas: febre alta (39° a 40°C) – início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias; dor de cabeça; dores no corpo e articulações; dor atrás dos olhos; fraqueza; erupção e coceira na pele. A forma mais grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, com vômitos e sangramentos. O vírus entrou no Brasil com força na década de 1980, no Rio de Janeiro, ocorreram diferentes entradas, em diferentes períodos, e aos poucos o vírus se espalhou.
Outra doença que tem chamado atenção no país é a febre Chikungunya, que pode apresentar os seguintes sintomas: febre alta de início rápido; dores intensas nas articulações dos pés e mãos; dores de cabeça e no corpo; e manchas vermelhas na pele. É importante ressaltar que só é possível contrair chikunguyna uma vez, após, a pessoa se torna imune pro resto da vida. Cerca de um terço dos casos não possui sintomas.
Os mosquitos e os seus locais de proliferação representam um significativo fator de risco para a infecção pelo vírus Zika. A prevenção e o controle dependem da redução dos mosquitos através da redução das fontes (eliminação e modificação dos locais de proliferação) e da redução do contato entre os mosquitos e as pessoas. "É mais eficaz modificar as condições que propiciam a proliferação do mosquito, do que focar diretamente nele, afirmam pesquisadores e sanitaristas entrevistados. O que permite a infestação dos mosquitos nas cidades brasileiras é ausência de saneamento e de oferta contínua de água, acúmulo de lixo, falta de drenagem e de limpeza pública, falta de cuidados dentro e fora das casas para eliminar qualquer acúmulo de água parada" - coloca Rogério Lannes Rocha, na edição nº 161 da Revista RADIS.
A notificação de focos do mosquito é uma prática que ainda pode e precisa ser qualificada e disseminada, mas avaliamos, principalmente, que as medidas tomadas frente a essa informação requerem mais responsabilidade dos gestores. Pois as ações da Vigilância, em nossa visão, têm dado um enfoque excessivo à aplicação de inseticida nas regiões com maior identificação de focos, sem se ter uma clara dimensão das consequências que isso pode acarretar para o meio ambiente e para a saúde das pessoas. Por isso é importante que as ações sejam elaboradas de forma integrada entre gestores, pesquisadores, sanitaristas e população de diferentes cidades e países.
A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial no mês de Fevereiro deste ano, liberou uma nota onde relata como se dá o atual diagnóstico do vírus. “(...)o diagnóstico laboratorial de infecção pelo Zika vírus pode ser realizado em amostra de sangue obtida por punção venosa, indiretamente pela detecção de anticorpos circulantes ou diretamente, pela detecção do vírus propriamente dito utilizando, metodologia molecular”. Este método de análise é capaz de detectar a presença do vírus nos primeiros 7 dias de infecção, sendo o tempo ideal de detecção até 4 dias após a infecção.
Não existe tratamento específico para o Zika vírus, apenas sintomático e de suporte, incluindo repouso, ingestão de grandes quantidades de fluidos e medicação sintomática (analgésicos, antieméticos e anti-histamínicos).
Redes internacionais estão se articulando para criar formas de agilizar os testes de diagnósticos e o desenvolvimento de vacinas assim como estudos para descobrir quais sintomas realmente o vírus causa, comprovar a relação direta com a microcefalia, identificar os riscos do paciente que está infectado com a doença, entre outras questões.
A professora Margareth Capurro, do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, quando falou sobre estudos de vacina contra Zika relata que ainda faltam informações da clínica médica (quantos sorotipos, quantas vezes uma pessoas pode contrair o vírus, entre outras) para iniciar testagem de vacina, esta que teve como base o vírus da Dengue.
Quando os primeiros casos de Zika vírus e microcefalia começaram a surgir no Brasil, informações não confirmadas como verdadeiras foram compartilhadas em redes sociais e grandes mídias, deixando os cidadãos confusos e assustados, sem saber a real dimensão da situação. Uma atmosfera de incerteza e desorientação foi criada, dificultando a discernimento de informações importantes.
O trabalho realizado nos últimos meses entre União, estados e municípios foi tardio mas de grande amplitude. O acompanhamento de famílias e seus lares por Equipes de Saúde, Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Controle de Endemias foi essencial para a criação de uma consciência comunitária acerca da gravidade do vírus e a importância da prevenção. Também, muitas denúncias de focos de mosquito chegaram à vigilância em saúde, para aprimorar o controle de criadouros.
Este cenário exemplifica o quão significativa uma campanha de prevenção em saúde pode ser, quando esta possui apoio e interesse de atores de todos pontos da sociedade. Este cenário exemplifica também o impacto que micro-ações comunitárias podem ter no sistema de saúde como um todo.
Uma dificuldade que ainda pode ser percebida no combate ao mosquito Aedes Egypti é a confirmação de vacina preventiva a curto prazo, pois para isso ainda são necessárias muitas pesquisas, inclusive sobre quanto tempo o vírus fica no organismo. Outra dúvida que gera grandes expectativas para a Vigilância e à população é acerca de existirem outras espécies de mosquitos que podem transmitir Zika. Ou seja, muitas incertezas pairam sobre o assunto, ainda não foi possível descobrir sequer a origem da entrada do vírus no Brasil, o que se tem são suposições sobre ele ter chegado durante a Copa do Mundo. O trabalho para clarear todas essas questões e gerar propostas é árduo e deve ser contínuo, exigindo muita responsabilidades de todos os envolvidos.
Fontes:
https://www.ufrgs.br/rscontraaedes/materiais/protocolo_manual_aedes_medicos_20160128_ver009_link_lft.pdf
http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/sbpcml_posicionamento_zika_virus.pdf
http://www5.usp.br/106786/pesquisadora-fala-sobre-vacina-contra-zika-e-controle-da-epidemia-ouca-na-radio-usp/
http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/sites/default/files/radis161_web.pdf
http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/sites/default/files/radis161_web.pdf
O mundo das Políticas Públicas de Saúde está por todos os lados
Como já falei anteriormente, tenho estagiado na Área Técnica de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, desde agosto de 2015. Agora, depois de várias reuniões, essa área passou a se chamar de Coordenação da Política Pública de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência. Participando desse espaço tenho visto algo que estudamos bastante no curso: o ciclo das políticas públicas, e percebido que cada política, pode tomar diversos rumos e enfrentar diferentes etapas para ser implementada e acompanhada. Desde que entrei, tenho participado da elaboração e discussão do Plano Municipal de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência, que exige um trabalho diário e constante e articulação com diversos setores e organização, principalmente através do Grupo Condutor
Municipal da Rede de Cuidados à Pessoa com
Deficiência e da Comissão de Saúde da PcD, do Conselho Municipal de Saúde.
- Contratos, fluxos, linhas de cuidado, etc.
2. Análise da Rede de Atenção em Saúde Mental no Subsistema de Saúde Suplementar Brasileiro nas Regiões Norte e Sul sob a Perspectiva de Linhas de Cuidado
- O projeto se localiza no que tem sido chamado de analise de “formação de políticas” (Menicucci, 2007), no caso, a formação da política pública de saúde mental brasileira, tomando o aspecto da implementação.
A análise de implementação de políticas precisa considerar o caráter autônomo dessa fase, em que “os resultados da implementação, que podem ser diferentes da concepção original”.
3. Rede-Observatório do Programa Mais Médicos
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Vamos continuar
Vou me deparando com as atividades do dia-a-dia dentro dessa área que me cativa tanto (a Saúde Coletiva) e ao mesmo tempo me perguntando "estou pronta pra seguir em frente?". E essas mesmas atividades e experiências, me mostram como eu nunca vou estar 100% pronta, mas é participando delas que eu tenho certeza de que vale a pena continuar. Como eu já contei em outros relatos deste blog, bem no início do curso, eu participei de uma experiência como bolsista de um projeto num dos CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) daqui de Porto Alegre. Lá eu participava de muitas atividades (grupos terapêuticos, acompanhamento dos acolhimentos, etc.), que contribuíram muito para que eu continuasse em busca das minhas possibilidades dentro do meu campo escolhido. Pois então, semanas atrás, quando eu voltada de uma atividade do Fórum Social Mundial, encontrei uma senhora que frequentava o CAPS na mesma época em que eu estava fazendo parte da equipe, e essa senhora participava de um grupo terapêutico de atenção aos familiares dos usuários do Centro, do qual eu fazia parte como mediadora. Foi lindo ver a alegria dela, ainda mais quando me abraçou e me agradeceu pela ajuda e atenção que eu dei à ela. E mais lindo ainda, foi perceber que naquele momento eu estava só começando.
E ter continuado a participar de coisas tão gratificantes, faz eu me sentir cada dia mais feliz por ter conhecido e me apaixonado pela proposta do meu curso de Bacharelado em Saúde Coletiva já no primeiro ano do ensino médio. Pois desde então, tenho participado de experiências que estão me fazendo muito bem. Estar na Rede Governo Colaborativo em Saúde, fazendo pesquisas, participando de encontros riquíssimos e contribuindo com o crescimento da produção de conhecimento é um prazer indescritível. Participar da elaboração e implantação do Plano Municipal de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência e ajudar na disseminação das diretrizes das políticas de saúde, junto da Secretaria Municipal da Saúde (que é onde estagio), me faz querer buscar cada vez mais conhecimentos e motivação. Essas são coisas pelas quais ao mesmo tempo em que eu me orgulho, eu agradeço muito por poder participar. E nesse post, não vou nem começar a relatar mais experiências, porque senão vamos até amanhã.
Gratidão.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
O que dizer do quarto semestre
Tem sido um ano cheio de polêmicas, isso é fato! Mas cheio de aprendizados também.
Então vamos lá, tá na hora de começar a se despedir e de pensar em coisas novas ou então, ao menos, em inovar!
Acho que é isso que me move, pensar no que pode ser melhor...
E para pensar no que posso melhorar e no que o meu entorno pode melhorar, quero hoje fazer uma breve análise.
O início do quarto semestre começou com muitas novidades para mim. Pois, como já contei em outra postagem, saí de uma bolsa em que eu já estava há um ano e meio para começar em outros dois lugares, na Bolsa de Iniciação Científica na Rede Governo e no Estágio na Secretaria Municipal de Saúde. Mas além disso, minha relação com o curso também mudou durante esse semestre. Isso porque senti muitas pessoas desesperançosas com a política brasileira e com problemas e conflitos que estiveram acontecendo em todo o mundo. E a partir disso, comecei a me sensibilizar mais para uma postura diferente frente a toda esse deslocamento que afetou a todos, ao mesmo tempo em que me senti angustiada em diversos momentos. Surgiram perguntas como: Por que tudo (e todas as relações) é tão complexo e complicado? Como construir um equilíbrio para lidar com tantas informações, em sua maioria ruins, e ao mesmo tempo procurar respostas e formas de contribuir para melhorar esse cenário? Como não perder a motivação?
É um desafio pensar em tudo isso, todos os dias, sem perder o foco das atividades que precisamos cumprir, tiveram vezes que inclusive me frustrei por não conseguir me envolver mais com algumas coisas ou por não entendê-las. Mas foi uma satisfação poder ver exemplos de colegas, professores, monitores que trabalham transformando realidades e condições, ou então, que tentam mostrar caminhos melhores e mais humanizados para diferentes pessoas. E está sendo uma satisfação ver que faço parte de movimentos assim, tanto com estudos, quanto nos espaços de trabalho auxiliando pessoas e ajudando a construir melhores condições.
É um turbilhão de coisas e sentimentos que eu poderia colocar aqui, fico com essas palavras por enquanto, porque nem tudo é possível de expressar.
Até mais,
Luiza
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Visita à Santa Casa
No último sábado, dia 21, participei da última atividade da Ação de Extensão Evolução das Instituições de Saúde: Um Olhar Interdisciplinar. Fizemos a visita ao cemitério e ao museu da Santa Casa. Foi uma visita com uma carga histórica gigantesca e muito interessante, onde pudemos observar aspectos como, por exemplo, a influência de determinantes socioeconômicos na construção dos cenários visitados.
Atividades como essa, na minha opinião, contribuem de forma muito significativa com nossa formação dentro da Saúde Coletiva. Pois assim podemos observar os movimentos e influencias que compõem o histórico das instituições de saúde. Dessa forma, estaremos mais sensibilizados a perceber as intercorrências que acontecem no meio do caminho e a nos relacionar mais adequadamente com elas em um espaço de gestão e de tomada de decisões.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
I Fórum em Traumatologia Pediátrica - HPS
O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre
promoveu na última sexta-feira, 23, o 1º Fórum Multidisciplinar de Trauma em
Pediatria. O evento reuniu especialistas do HPS e de outras instituições para
debater a realidade dos atendimentos de emergência em pediatria. A rotina
diária tem revelado um aumento preocupante nos casos de crianças com
queimaduras graves provocadas por acidentes domésticos. Também tem chamado a
atenção das equipes o numero crescente de crianças atingidas por armas de fogo
e armas brancas (facas e outros instrumentos perfurantes/cortantes). Este
último aspecto é um indicativo claro do impacto da violência urbana nas UTIs
pediátricas.
Durante o
evento, participei de apenas duas exposições, sobre Epidemiologia da violência
urbana na população infanto-juvenil de Porto Alegre, com a psicóloga Sandra
Kurtz, da Equipe de Eventos Vitais, Doenças e Agravos Não Transmissíveis,
Vigilância de Violência e Acidentes - CGVS e sobre o Estatuto da
Criança e Adolescente e o papel dos equipamentos de proteção social, com a
assistente social Cristine Kuss, do Serviço Social do HPS. A primeira apresentou dados dos
agravos por causas externas que atingem à população infantojuvenil e que são a
3ª causa de morte em Porto Alegre já superando as Doenças respiratórias, sendo
que dos 10 aos 39 anos é a 1ª causa de morte. A segunda apresentação apontou as
responsabilidades que o Estatuto da Criança e do Adolescente dirige para a
sociedade em geral e, principalmente ao setor público, e mostrou algumas das
intervenções que a equipe do HPS faz para tentar garantir uma proteção mais
ordenada dos direitos das crianças e adolescentes.
A reflexão proposta foi em cima da
questão “Por que é importante fazer a vigilância das violências?” e se apontou
que é a partir da vigilância que se tenta identificar onde estão casos de violência
envolvendo negligência, trabalho infantil (quase nunca identificado), abusos,
dentre outras.
Por fim, fizemos uma reflexão a partir do poema de Manoel de Barros, "O menino que carregava água na peneira".
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
9ª Semana Acadêmica da Saúde Coletiva
Entre os dias 19 e 23 de outubro ocorreu mais uma Semana acadêmica do curso de Saúde Coletiva. Em sua 9ª edição, o tema foi "Um olhar interior: o que produzimos na Saúde Coletiva?", e trouxe diversos trabalhos que são e estão sendo produzidos pelos próprios alunos do curso em diferentes projetos de Extensão, Pesquisa e para as próprias Unidades que compõem a grade do curso.
Pude notar o quanto a Saúde Coletiva tem buscado seu espaço e o mais interessante disso é que os protagonistas desse processo são os próprios alunos. Pesquisas muito interessantes foram apresentadas, com diferentes metodologias envolvendo, em vários trabalhos, intervenções importantes de serem disseminadas por aí.
Que continuemos nesse caminho de inovações!
A FUTURA SANITARISTA
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Práticas corporais na promoção da saúde
Entre uma aula e outra, vamos nos dando conta que nem toda ação em saúde é pensada, ou pelo menos, consegue atingir a todas as pessoas, visualizando suas particularidades. Na Unidade de Promoção da Saúde IV, vemos que alguns autores convergem na ideia de que participar de ações para o próprio cuidado é "para quem pode e não para quem quer", e isso é um determinante, principalmente, quando se fala de práticas corporais para a saúde. Luiz Fernando Silva Bilibio, em seu texto "Esquecimento ativo e práticas corporais em saúde", reconhece as práticas corporais como manifestação da cultura corporal e entende que dependendo das condições e da situação as práticas podem representar uma manifestação da intensificação ou de empobrecimento da existência.
Cabe então, a todos nós, usuários e promotores de práticas envolvendo corporeidade e saúde, testarmos nossos limites, cuidadosamente, para estabelecer condicionantes frente ao que se quer e o que se pode praticar.
Para isso, estamos, durante o semestre, tentando desenvolver atividades dinâmicas com a própria turma, para então observarmos o quão próximas de nós estão ou não as intercorrências envolvendo as práticas corporais.
Esse é um exercício que pretendo levar ao longo de minha trajetória...
Até logo,
A FUTURA SANITARISTA
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Workshop Internacional Avaliação de Políticas Públicas: Atenção Básica/Primária e Participação Social em Saúde - Experiências da cooperação Itália e Brasil
Teve início, na segunda-feira (21/09), o Workshop Internacional Avaliação de Políticas Públicas: Atenção Básica/Primária e Participação Social em Saúde - Experiências da cooperação Itália e Brasil, que reúne em Porto Alegre pesquisadores, docentes, gestores, servidores e estudantes nacionais e estrangeiros até amanhã, 23 de setembro.
As mesas da manhã de hoje trouxeram as experiências de Maria Augusta Nicoli, da Agenzia Sociale e Sanitária Regionale Emilia-Romagna, Luciano Gomes, da Universidade Federal da Paraíba e Ardigó Martino, da CSI Alma Mater Studiorum Universitá di Bologna, entre outros nomes importantes que fizerem intervenções muito interessantes. O tema principal do Workshop é atenção básica e participação, por isso teve como convidados representantes e servidores dos diversos serviços de Porto Alegre que fazem assistência e gestão nessa área.
Nas apresentações dessa manhã Maria Augusta Nicoli explanou sobre o processo das linhas guias que compõem a atenção básica em saúde na Itália, contando sobre a forma como as comunidades se inserem nesse movimento de construção da linha e a importância dessa participação continuar no monitoramento das atividades posteriores e ligadas a essa implementação. Luciano Gomes, em outra mesa, reforça a importância da avaliação das ações e serviços em saúde, de forma a apoiar o desenvolvimento do conjunto de ações com um olhar para as demandas da população e de seus indivíduos como integrantes principais das complexas redes do sistema de saúde. Após esse momento, Ardigó Martino explanou sobre a transição demográfica que está acontecendo na Itália e mostrou estratégias para enfrentamento das mudanças em relação a demanda de uma população mais envelhecida e com menores taxas de natalidade.
O evento está sendo organizado pela Cooperação acadêmica entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Alma Mater Studiorum – Università di Bologna (UNIBO) através da Rede Governo Colaborativo em Saúde.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Fundamentos e aplicabilidades da Economia da Saúde
Durante o primeiro módulo da Unidade de Planejamento, Gestão e Avaliação em Saúde III estamos discutindo os Fundamentos e Aplicabilidades da Economia da Saúde. Hoje resolvi escrever um pouco sobre a análise do material organizado por Sergio Francisco Piola e Solon Magalhães Vianna em 1995 e que está disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=5329.
A Economia da Saúde é uma área essencial para se fazer planejamento e administração dos serviços de saúde. Uma das principais dificuldades e desafios é lidar com o pequeno número de interessados que permanecem no setor saúde e que se especializam nessa área. Outro desafio está ligado a diferentes formas de gestão e utilização dos recursos disponíveis o que pode gerar conflitos na área.
Um aspecto que precisa ser discutido é o fato de a Saúde ser um campo extremamente complexo e quase impossível de ser traduzido em números, a partir dos dados que são produzidos é necessário que haja uma análise mais profunda das condições. Porém é importante saber que não existe incompatibilidade entre economia e saúde, muito pelo contrário, os instrumentos da economia influenciam fortemente na operacionalidade e nas estratégias em saúde, principalmente tratando-se de recursos limitados (o que faz parte da realidade dos sistemas de saúde).
Existem inúmeros estudos ligados à Economia da Saúde e que demonstram como fatores socioeconômicos se relacionam com indicadores de saúde, ou como o desenvolvimento econômico impacta no nível de saúde de uma população. Esses estudos levam em consideração diversos indicadores e estatísticas, dos quais muitas vezes não vemos a relação com os determinantes do processo saúde-doença. Também são realizados estudos que analisam bens e serviços específicos, como aspectos financeiros ligados a medicamentos, aparelhos, procedimentos, tecnologias, investimentos em infraestruturas, etc., que influenciam muito na tomada de decisão dos gestores em saúde. Um trabalho muito importante para a definição das prioridades de saúde e para a elaboração de políticas públicas está ligado ao ESTUDO DA FUNÇÃO DISTRIBUTIVA DO SISTEMA DE SAÚDE, pois visualiza as situações de desigualdade e equidade no acesso e utilização do sistema de saúde, buscando analisar as condições mais desprivilegiadas da sociedade e pensar propostas para elas.
Algumas controvérsias são colocadas em pauta quando se fala de “desenvolvimento econômico” e “nível de saúde”, pois não existe um consenso do que vem antes. Atualmente, trabalha-se na perspectiva de que a saúde faz parte do processo de desenvolvimento social e econômico de uma população, em que o Estado tem o papel de explicar a evolução dos níveis de saúde, sendo essa evolução parte integrante da situação social. Outra controvérsia é observada quando se trata de direito à saúde, pois isso está ligado a dois fatores: a participação efetiva do indivíduo na busca pela saúde e as prioridades de aplicação de recursos. O primeiro fator coloca em evidência a controvérsia de que apenas o acesso aos serviços de saúde não basta para se adquirir saúde, é necessário que o indivíduo participe do processo para que possa alcançar melhores condições. E o segundo fator aponta que nem sempre é possível investir em programas e ações que trazem benefícios para a população em geral, isso traz para debate a questão: Como garantir o direito que é de todos com recursos limitados?
No Brasil, a abrangência em economia da saúde está ligada à visualização e análise da diversidade de serviços de saúde e suas distorções. Essas distorções se relacionam à falta do estabelecimento das reais necessidades da população, à desigual distribuição geográfica dos recursos, ao uso excessivo de medicamentos, à má utilização dos recursos e das tecnologias, à competição do setor privado, dentre outros fatores. Isso traz consequências tanto à economia do país, como a diversos outros setores e gera questionamentos que necessitam ser contextualizados e repensados visto que é de responsabilidade dos governos o uso racional dos recursos públicos investidos em saúde.
Esses são conhecimentos que pretendo sempre poder utilizar, até para ter a consciência que investimento em saúde se faz com responsabilidade.
A FUTURA SANITARISTA
A Economia da Saúde é uma área essencial para se fazer planejamento e administração dos serviços de saúde. Uma das principais dificuldades e desafios é lidar com o pequeno número de interessados que permanecem no setor saúde e que se especializam nessa área. Outro desafio está ligado a diferentes formas de gestão e utilização dos recursos disponíveis o que pode gerar conflitos na área.
Um aspecto que precisa ser discutido é o fato de a Saúde ser um campo extremamente complexo e quase impossível de ser traduzido em números, a partir dos dados que são produzidos é necessário que haja uma análise mais profunda das condições. Porém é importante saber que não existe incompatibilidade entre economia e saúde, muito pelo contrário, os instrumentos da economia influenciam fortemente na operacionalidade e nas estratégias em saúde, principalmente tratando-se de recursos limitados (o que faz parte da realidade dos sistemas de saúde).
Existem inúmeros estudos ligados à Economia da Saúde e que demonstram como fatores socioeconômicos se relacionam com indicadores de saúde, ou como o desenvolvimento econômico impacta no nível de saúde de uma população. Esses estudos levam em consideração diversos indicadores e estatísticas, dos quais muitas vezes não vemos a relação com os determinantes do processo saúde-doença. Também são realizados estudos que analisam bens e serviços específicos, como aspectos financeiros ligados a medicamentos, aparelhos, procedimentos, tecnologias, investimentos em infraestruturas, etc., que influenciam muito na tomada de decisão dos gestores em saúde. Um trabalho muito importante para a definição das prioridades de saúde e para a elaboração de políticas públicas está ligado ao ESTUDO DA FUNÇÃO DISTRIBUTIVA DO SISTEMA DE SAÚDE, pois visualiza as situações de desigualdade e equidade no acesso e utilização do sistema de saúde, buscando analisar as condições mais desprivilegiadas da sociedade e pensar propostas para elas.
Algumas controvérsias são colocadas em pauta quando se fala de “desenvolvimento econômico” e “nível de saúde”, pois não existe um consenso do que vem antes. Atualmente, trabalha-se na perspectiva de que a saúde faz parte do processo de desenvolvimento social e econômico de uma população, em que o Estado tem o papel de explicar a evolução dos níveis de saúde, sendo essa evolução parte integrante da situação social. Outra controvérsia é observada quando se trata de direito à saúde, pois isso está ligado a dois fatores: a participação efetiva do indivíduo na busca pela saúde e as prioridades de aplicação de recursos. O primeiro fator coloca em evidência a controvérsia de que apenas o acesso aos serviços de saúde não basta para se adquirir saúde, é necessário que o indivíduo participe do processo para que possa alcançar melhores condições. E o segundo fator aponta que nem sempre é possível investir em programas e ações que trazem benefícios para a população em geral, isso traz para debate a questão: Como garantir o direito que é de todos com recursos limitados?
No Brasil, a abrangência em economia da saúde está ligada à visualização e análise da diversidade de serviços de saúde e suas distorções. Essas distorções se relacionam à falta do estabelecimento das reais necessidades da população, à desigual distribuição geográfica dos recursos, ao uso excessivo de medicamentos, à má utilização dos recursos e das tecnologias, à competição do setor privado, dentre outros fatores. Isso traz consequências tanto à economia do país, como a diversos outros setores e gera questionamentos que necessitam ser contextualizados e repensados visto que é de responsabilidade dos governos o uso racional dos recursos públicos investidos em saúde.
Esses são conhecimentos que pretendo sempre poder utilizar, até para ter a consciência que investimento em saúde se faz com responsabilidade.
A FUTURA SANITARISTA
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
As vidas das Marias e nossas vidas enclausuradas
Na aula de Tutoria IV de ontem (03/08) assistimos ao documentário "Vida Maria", a partir dele nos foi proposto uma Reprodução Social através de uma análise crítica de como nos colocaríamos nesta situação.
O curta metragem nos sensibiliza para pensar em várias condições que estão colocadas a mulheres e que são silenciadas durante toda uma vida e perpassam isso por muitas gerações. Mas também sinto o quão complexo é pensar sobre isso, pois não consigo me colocar realmente no lugar delas para sentir e vivenciar tudo o que se passa na vida dessas Marias. Mas como mulher, consigo perceber como a sociedade patriarcal está presente em todos os espaços da minha convivência, por exemplo, quando eu ando na rua e recebo cantadas, quando eu vejo homens ainda recebendo maiores salários que mulheres estando no mesmo cargo, quando eu vejo relatos de meninas, diariamente, nas redes sociais, etc.
Além de uma profunda discussão das questões trazidas no vídeo, conversamos sobre algumas questões relacionadas a governabilidade atual (ou a falta dela) e polêmicas que estão efervescendo nas diferentes esferas estatais, como o corte de verbas na educação e o atraso e parcelamento dos salários aos servidores públicos estaduais.
Mas para falar sobre isso aqui, eu precisaria uma semana inteira!
Então, até logo,
A FUTURA SANITARISTA
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Trajetória em um ano acelerado
O ano está passando e, como sempre, sem dar trégua, quero recapitular algumas coisas, faço isso conforme vou tendo uma ideia do que está por vir, então como agosto foi um mês cheio de novidades em relação ao que vivo através da Saúde Coletiva, vai aí um resumão. Comecei o ano me matriculando em oito Unidades de Produção Pedagógica e continuando a bolsa, em que eu já estava desde o início de 2014, no Núcleo de Avaliação da Unidade (NAU) da Escola de Educação Física que está passando por modificações em seu Regimento, e também passará a ser chamada Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (ESEFID). Nessa bolsa, trabalhamos em dois projetos maiores durante esse ano, o processo de modificações no Regimento da Unidade (processo que resultou em 2 seminários e 4 plenárias) e o processo de avaliação dos currículos dos cursos de Educação Física, Fisioterapia e Dança (que iniciou com formulários online aos quais cerca de 30% dos alunos da Unidade foram respondentes).
Lista dos demais acontecimentos:
- No dia 21 de março aconteceu a Plenária Popular Regional de Conselhos de Saúde e Movimentos Sociais da Região Sul - Em preparação para a 15ª Conferencia Nacional de Saúde com o tema "Saúde Pública de qualidade para cuidar bem das pessoas: um direito do povo brasileiro." Teve como objetivo, assim como as demais plenárias regionais, a mobilização para a participação popular, também agregando o maior número de movimentos sociais para a conferencia.
- Outra atividade importante que aconteceu durante esse ano foi a discussão acerca das Diretrizes Curriculares do curso de Saúde Coletiva, feitas em alguns Fóruns e inclusive em um Projeto de Extensão (ocorrido no dia 25/04/2015). A proposta era que os alunos de todos os cursos de Saúde Coletiva (e que não necessariamente têm esse mesmo nome) discutissem o conteúdo do documento atual para enviar propostas que entraram na pauta do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva que ocorreu em Goiânia (GO) de 28 de julho a 1º de agosto. O encontro gerou a carta contida no seguinte link: http://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2015/08/Carta_de_Goiania-Aprovada-no-11%C2%BA-CBSC.pdf
- Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, Curitiba (01/05 até 03/05)
- Palestra do dia 15/05, no auditório da Faculdade de Odontologia da UFRGS, abordou o tema violência e saúde, com participação de Emerson Merhy, refletindo sobre a importância de desconstruir os processos de enclausuração dos corpos.
- Visita ao Hospital São Pedro (23/05)
- Visita ao Hospital Colônia Itapuã (29/05)
- A visita ao Telessaúde, que aconteceu dia 10 de junho, nos proporcionou conhecer vários projetos que contribuem muito com o sistema de saúde. É um projeto de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As ações do projeto são dirigidas à população, por meio de apoio aos profissionais da atenção primária à saúde e dos demais níveis assistenciais do Sistema Único de Saúde.
Pra acessar o site do projeto, segue o link:http://www.ufrgs.br/telessauders/nossos-servicos
Pra acessar o site do projeto, segue o link:http://www.ufrgs.br/telessauders/nossos-servicos
- Visita ao Centro de Saúde Vila dos Comerciários (04/07)
- No dia 03 de agosto iniciei meu estágio na Área Técnica de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência, na Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre. Tem sido muito gratificante poder conhecer melhor a política que estabelece as diretrizes tanto para a área que estou quanto as outras políticas que norteiam outras áreas que trabalham lá. Nessa experiência, estou podendo vivenciar várias coisas que discutimos no curso, que passam da gestão até a saúde direta dos usuários e inclusive dos profissionais.
- Na mesma semana em que iniciei no estágio, aconteceu meu acolhimento na Bolsa da Rede Governo Colaborativo em Saúde, ainda estou conhecendo os projetos de pesquisa, mas já pude ter uma ideia de quanta coisa poderei aprofundar participando das ações.
-Visita ao presídio central de Porto Alegre em 21/08.
Não especifiquei como foi cada uma das atividades, mas com certeza cada uma delas contribui com meu crescimento como conhecedora de tudo que a Saúde abrange e como é importante a interlocução com todos os outros setores, políticas e com a população. Até porque o mundo e a vida não são divididos em setores, somos parte de um todo que procura por uma organização e espero que essa organização seja para proporcionar coisas boas (mesmo que muitas coisas nos fazem desacreditar nisso).
A FUTURA SANITARISTA
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Saúde Coletiva e Bioestatística
A partir do que viemos estudando na Unidade de Bioestatística III e nas outras unidades do curso ao longo do semestre, pudemos refletir sobre quais são os determinantes socioeconômicos que influenciam no processo saúde-doença e como eles afetam os indivíduos e seus coletivos dentro da sociedade. Identificando as formas de análise dessas condições, podemos utilizar ferramentas da Bioestatística para otimizar os processos e visualizar quais são as prioridades. E para isso utilizamos de duas bibliografias principais, para introduzirmos nossos estudos:
Utilizando tais ferramentas é possível delinear o semblante de cada comunidade e, em se trabalhando com indicadores quantitativos, podemos utilizar o cálculo da média (para uma representação geral), ou da mediana (no caso de haver dados que influenciariam os valores por terem extremidades muito distintas) - dentre outras ferramentas - para avaliar, por exemplo, quais as populações mais vulneráveis a incidências de agravos e qual seu respectivo recorte demográfico e epidemiológico.
Tudo isso colabora com o sanitarista na elaboração de propostas coerentes e adequadas para cada população-alvo, além de colaborar internamente com os serviços de saúde e sistemas de informação no preenchimento dos bancos de dados, nas análises situacionais de saúde, etc.
Essa é uma breve descrição sobre uma parte de nossos trabalhos no decorrer desta UPP.
Até mais,
A FUTURA SANITARISTA
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Estudo das populações negra e indígena na modalidade EaD do curso de Saúde Coletiva
Hoje trago minhas reflexões sobre os temas discutidos nos primeiros quatro
módulos da Unidade de Tópicos Integradores em Saúde
Coletiva III, modalidade EaD, do curso. A UPP, durante o primeiro semestre de 2015, abordou
os temas acerca do que é o quesito raça/cor/etnia, racismo e gênero, racismo
institucional, Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, e Saúde
da População Negra e Indígena e o SUS. As discussões foram realizadas a partir
de fóruns, que tiveram como base diversas produções textuais e audiovisuais.
No
primeiro módulo, o fórum serviu para uma introdução da turma ao tema, onde
pudemos além de colocar nossa visão sobre o que conhecíamos previamente,
discutir acerca de dois vídeos. O primeiro e mais longo vídeo, intitulado
“Vista minha pele”, permitiu-nos refletir sobre como seria se, historicamente,
os brancos tivessem sido escravizados e consequentemente subalternizados pela
sociedade. Para muitos, foi a primeira vez que este ponto de vista foi
colocado, o que acabou sensibilizando a todos e motivando ao debate. O segundo
vídeo, expõe a visão do Gustavo, um menino de 10 anos, que fala sobre a
importância das culturas africana e afrodescendente serem ensinadas nas escolas
do Brasil. Ele coloca sua opinião de forma muito inteligente, sem se limitar às
produções sobre essa cultura, mas falando da importância dessa disseminação, do
racismo em geral e sua visão sobre as principais consequências dele. Observando
aos materiais disponibilizados, foi possível introduzirmos ao tema, tendo um
pouco mais noções sobre a importância de reflexões sobre ele em mais espaços,
tanto cotidianamente (nas esferas públicas e privadas), quanto ao longo da
graduação. Além disso, durante esse primeiro momento, outros materiais foram
disponibilizados pelos colegas e pela professora enriquecendo ainda mais o
debate e facilitando as formas de relacionar o tema com outras áreas.
O
segundo módulo trouxe para debate o artigo de Laura Cecília López, “O conceito
de racismo institucional: aplicações no campo da saúde”, publicado na Revista
Interface – Comunicação, Saúde, Educação, no ano de 2012. Foi um importante
material de análise sobre o que temos como base teórica para debatermos o
assunto, ainda mais sendo focado para o campo da saúde, onde o Brasil enfrenta
duros problemas com o racismo institucional. A autora, além de trabalhar o
conceito em questão, traz relações dele com as disputas do movimento negro e
suas conquistas atreladas às políticas públicas, trabalha sobre a dimensão
histórica do racismo institucional brasileiro, sobre as tecnologias que
passaram a existir nos serviços do sistema de saúde do país, sobre as relações
de biopoder envolvidas no estabelecimento de benefícios e oportunidades aos
diferentes segmentos da população do ponto de vista racial e enfatiza a
importância e a necessidade de pesquisas qualitativas de abordagem etnográfica
que reflitam sobre como estão operando as instituições frente a esse tema.
Assim como no primeiro fórum, foram trazidos outros materiais, porém buscou-se
focar no debate acerca do que está colocado no artigo. Então, foi possível
identificar que, por muitos anos, esta reflexão sequer chegava à academia e por
isso ainda acontecem casos de extrema opressão e indignidade ligados à
população negra nos serviços de saúde e em tantos outros.
Durante
o terceiro módulo discutimos a importância das instituições conhecerem o perfil
étnico-racial da população do Brasil. Para tanto, nos foi disponibilizado o
manual “Como e para que Perguntar a Cor ou Raça/Etnia no Sistema Único de
Saúde?” e o vídeo “Quesito cor”. O primeiro material trata sobre a importância
do acolhimento, da orientação e do encaminhamento dos usuários nos serviços de
saúde, sobre o sistema de informações de usuários(as) dos serviços de saúde e
enfoca nas questões entorno da informação e coleta do quesito cor ou raça/etnia,
mostrando os métodos e os motivos dessa coleta. Já o vídeo enfatiza que é
necessário, para a formulação de políticas públicas, o conhecimento desses
quesitos, afim de combater a desigualdade social do país, que impacta ainda
mais na população negra. Ele denuncia os agravos que atingem com maior
incidência essa população e também entrevista pessoas na rua para mostrar o que
elas entendem como sua cor/raça, colocando o quão importante é que todas as
pessoas saibam o que é racismo. No fórum desse módulo, foi trazida a
necessidade de sensibilizar aos servidores do sistema de saúde para o
levantamento do quesito raça/cor e de como fazer essa abordagem para que não
haja um afastamento ainda maior de negros e negras dos serviços de saúde.
No
quarto módulo, trabalhamos em cima do boletim “Análise do Quesito Raça/Cor a
partir de Sistemas de Informação da Saúde do SUS” publicado pela Secretaria
Municipal da Saúde de São Paulo, em 2011. O material, além de fazer uma análise
pelo recorte étnico-racial, incentiva aos serviços sobre a forma correta de
trabalhar com esses dados e traz gráficos que ajudam a identificar a
distribuição da população negra, os agravos mais incidentes, etc. Para o fórum
realizado durante esse módulo, tivemos de buscar informações no boletim, sobre
os agravos e doenças prevalentes nas populações que estivemos estudando, para
podermos identificar alguns motivos para esta prevalência, e quais os
determinantes para que essas populações sejam mais vulneráveis e refletirmos a
partir disso sobre possíveis intervenções, ações e políticas. Conversamos
também sobre a legislação (portarias e decretos) que dão suporte às ações já
existentes voltadas para negros(as) e indígenas, e a importância de servidores
e gestores estarem cientes do que consta em tais documentos, a fim de agirem
adequadamente dentro dos serviços e no planejamento de novas ações.
As
discussões contribuíram com a nossa formação crítica para que possamos pensar em como enfrentar os problemas ligados ao racismo e à
discriminação de populações vulneráveis, tanto cotidianamente quanto
institucionalmente, tendo o embasamento teórico e o compartilhamento de ideias
para isso. A forma como os colegas empenharam-se em não estarem limitados
apenas ao estudo dos materiais disponibilizados é um processo didático que
merece destaque. Também é necessário que
este debate não esteja limitado aos fóruns e seja levado para outras esferas
dentro e fora da universidade, pois é a partir de ações como essa que mudanças
reais no quadro epidemiológico e de inclusão social das populações negras e
indígenas, historicamente marginalizadas, podem acontecer. Precisamos criar um
olhar de respeito às diversidades socioculturais e esse processo somente será
possível com diálogos e intervenções que tenham envolvidos neles indivíduos
provindos de diferentes realidades com a mesma oportunidade de se pronunciar nos
espaços de debate, negociações e planejamento de ações.
Até mais,
A FUTURA SANITARISTA
Até mais,
A FUTURA SANITARISTA
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